titulo inspirado pelo Bertrand Russel
Pelas mesmas razoes que nao sou cato'lico. Um cato'lico acredita, tem fé, melhor sente a fé, coisa que nao me acontece. Procuro uma explicaçao racional para as coisas que acontecem à minha volta, e quando ela nao existe, contento-me com isso e claro, com a esperança (que nao fé) no progresso e ampliaçao do conhecimento humano, logo com a possibilidade de uma soluçao. De um modo Popperiano, os problemas e as soluçoes sucedem-se consecutivamente numa espécie de cadeia; quando nao se encontra uma soluçao, por vezes é preciso voltar atra's na cadeia e eliminar ou reformular soluçoes precedentes (foi o que aconteceu com a teoria da relatividade). Logo, nao ha' dogmas - tudo pode ser refutado, desde que o seja de uma modo racional (2+2=4) e que proponha uma nova soluçao, melhor que a anterior. Ora, se nao ha' dogmas, tambem nao ha' ateismo, ja' que este acredita que Deus nao existe, enquanto que para um agno'stico (como eu) a sua existencia nao esta' provada racionalmente. A diferença entre um e outro nao é tao pequena quanto isso. E' a diferença entre fé e razao.
27 de abril de 2005
porque nao sou ateu
posto pelo Alexandre às 14:36
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2 comentários:
Vamos lá a ver menino Alexandre. Dizer que o Ateu não acredita na existência de Deus, não é bem o mesmo que dizer que acredita na sua não-existência. LÓGICA. Não confundir inversão com contrário.....
E já agora o Agnóstico refugia-se numa balela nihilista. Da qual eu posso inferir que da mesma maneira que és agnóstico, também – pelo facto de não existirem dogmas, ou pelo menos de tu não seres dogmático – que não sabes se acreditas se as pedras e outros objectos inanimados pensam ou não, ou se numa vida anterior, a tua alma foi uma minhoca.
De facto não há nada que prove estas teorias, mas também não as podemos completamente refutar – o mesmo caso com Deus visto que a sua pretensa existência transcende as nossas capacidades de entendimento.
Mas então qualquer raciocínio que vise uma trancendência do humano será impossivel de julgar (deus tem micose, e o espirito astral das pedras também). O problema é que como se segue logicamente, não há nenhum raciocinio que não opere sobre os meandros da trancendência epistémica, ou seja, que seja baseado numa perfeita abstracção sem interferência do que nos é exterior (exterior e por conseguinte incompreensível fora dos nossos padrões de entendimento) pois o próprio acto pensante – ao contrário do que erradamente os idiotas da inteligencia artificial andaram a fazer durante 50 anos – implica uma interconstrução entre nós-cognição- e um meio (do qual o corpo faz parte), e assemelha-se a algo como um sistema dinâmico, que opera inicialmente de uma forma sub-simbólica (antes da existencia de simbolos/ abstracções/ representações).
Assim sendo, e não sendo possível ter na certeza absoluta de nada (o que me faz admirar muito o gajo que inventou o paraquedismo) dificilmente se establecem condições para aquilo a que tu te referes como progresso e que necessita, dentro de patamares de operacionalidade, de por um pé para depois poder por o outro (ou como o heroí dos cadernos do subterrâneo do Dostoyievsky coloca a problemática: ‘...o fruto directo, legítimo e espontâneo da consciência é a inércia, ou seja o ficar-de-braços-cruzados. Já mencionei atrás. Repito, repito e insisto : todas as pessoas e personalidades espontãneas são activas percisamente porque são lorpas e limitadas(...) exercito-me no raciocínio e por consequência qualquer causa primeira arrasta consigo uma outra, ainda mais primeira, e assim por diante até ao infinito’ ).
Toda esta tralha dialéctica cai primeiro no erro do raciocinio pelo absoluto ( Ou é, ou não é ; ou tudo, ou nada ; ) e no erro seguinte que é o do nihilismo absolutista – não é , não é, não é, e nem sei se estás aí....
Vejamos : o facto de os dogmas não terem uma explicação racional ou justificação (porra ! por isso é que são dogmas) não quer dizer que não existam, e aliás são muitos úteis – e com um funcionamento de certa forma semelhante aos recalcamentos – pois permitem a não interrupção de um fluxo, e desse modo servem como pilares para a construção existencial (ou seja não ficas a babar-te num canto e a gritar ... É o Nada ! o Nada !). O truque estará em ter consciência se esses pilares são O PILAR, o digno elemento fundacional das tuas preocupações e dúvidas existenciais, ou não. Mas também esse problema só se põe a quem ainda anda em busca de uma verdade reveladora – seja ela a do dogma ou da igualmente dogmática afirmação – não existem dogmas.
E assim verificarás que o facto de não poderes verificar se deus existe ou não, não é muito diferente de poderes saber se realmente existe alguém no mundo para além de ti e de uma construção intelectual só tua.....
O que não te impede de andares por aí todo contente e cheio de convicções sobre tudo e mais alguma coisa.
Basicamente o que me interessa ressaltar é que será sempre possível elaborar diferentes cartografias do raciocinio humano, e que aparentemente todo ele se baseia ou apoia momentâneamente em posições dogmáticas como ponto de partida, ou em algo muito semelhante especialmente na epistemologia como a noção de verdade possível.
E isto especialmente no que respeita ao teu grande ídolo Russell e ao seu Principia Matematica , visto que as matemáticas são baseadas em postulados. Inclusive no caso de Russell que tentou reduzir a matemática e a filosofia à lógica e análise de proposições. O que não sendo desinteressante não deixa de ser redutor como método de compreensão da realidade – baseado tal como qualquer linguagem mais ou menos complexa, em pressupostos de comunicabilidade e descritividade.
(aliás para alguém que lê Russell não devias incorrer em erros lógicos como o de dizer não há dogmas pois tudo pode ser refutado – então sendo que não o podes refutar, apesar de não o poderes comprovar, (refiro-me a Deus) como provas que ele não existe ? E se não podes refutar a sua existência como refutas a existência de dogmas?)
Mas meu caro, essas teorias popperianas do conhecimento como uma sequência de acontecimentos encadeados num sentido de ampliação ou melhoria... que desgraça tão positivista... se fosse uma sequência tendendo a uma solução, haveria problemas já solucionados em absoluto. O que não é o caso quando dependes unica e exclusivamente da razao. Se o pensamento for uma sequência é só porque o tempo passa... ou espanta-te que para grande parte do pensamento contemporâneo seja mais importante o estudo do Leibnitz ou o Nietzche, do que o do Popper... que é bem mais recente? ( ou será que esse tipo só atrapalhou a conversa ?).
Vejo que não respondes. Não te preocupes, não é grave, mas se quiseres aqui vai uma ajuda para te lançar na critica ao meu anterior texto – não esperes contudo que te faça a sopinha toda...
Vamos lá: Ponto 1 - Se reparares eu digo o seguinte ‘Dizer que o Ateu não acredita na existência de Deus, não é bem o mesmo que dizer que acredita na sua não-existência.’ Pois de facto ele pode ‘não acreditar na existencia de Deus’ assim como ‘não acreditar na sua não-existência’. De facto ele pode não acreditar em nada. Ora como se vê, e para que esta posição seja defensável, implica que o ateu seja igualmente nihilista (o que em alguns casos é verdade e deita por terra as tuas pertensões absolutistas sobre as crenças d’O Ateu, mas que discretamente poderás omitir na tua resposta).
Ponto 2 - Sendo isto verdade verias a termer as próprias fundações da minha argumentação. Argumento que o Agnóstico é um nihilista de merda (não será um relativista ? ou racionalista desconfiado?) mas defendo o Ateu através da possibilidade de este ser tambem um nihilista? Ou será que o que chamo de Ateu é, na verdade, um Agnóstico? Mas e então o teu agnóstico depende da razão para acreditar ? ou será para confiar ? Ele acredita na razão ? Nas suas conclusões ? No progresso da ciência ? Ó mas os novos deuses.....
Algo decerto não está bem....
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